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A Pessoa de Jesus Cristo
Introdução
  Os primeiros séculos da era Cristã foram marcados na área teológica com vários debates sobre a pessoa de Jesus Cristo. Concílios foram realizados pela Igreja no intuito de elucidar e julgar idéias que foram consideradas heréticas. De certo modo esses debates ajudaram aos teólogos a aprofundar conceitos sobre a pessoa de Jesus Cristo, levando a igreja a um correto entendimento bíblico. Boa parte dessas discussões corriam em torno da definição sobre a humanidade e a divindade de Jesus. Assim surgiram várias linhas teológicas que no fim foram julgadas heréticas: Arianismo, Apolinarianismo, Nestorianismo e Eutiquianismo foram as principais heresias combatidas pela Igreja.
O arianismo surgiu no século IV. Seu principal propositor foi Ário, bispo de Alexandria. Ário baseado nas palavras “Unigênito” e “Primogênito”, pregava que Deus Filho (Jesus Cristo) havia sido criado por Deus Pai, negando assim a pré-existência de Jesus e consequentemente a divindade de Cristo. O arianismo foi condenado no Concílio de Nicéia realizado em 325 d.C.
O apolinarianismo surgiu com Apolinário (bispo de Laodicéia em 361 d.C.) e negava que Jesus tivesse uma alma humana afirmando que o “Verbo” habitava no corpo de Cristo, e portanto não reconhecia a humanidade de Jesus. O nestorianismo teve origem com Nestório (bispo de Constantinopla em 428 d.C.) e definia a existência de duas pessoas distintas (humana e divina) em Jesus Cristo. O monofisismo, também conhecido como eutiquianismo por ter seu primeiro defensor Êutico (378-454 d.C.), baseava-se na idéia oposta ao nestorianismo e afirmava que Cristo tinha apenas uma natureza onde a parte humana e divina haviam se fundido numa só natureza.
O Concílio de Calcedônia realizado em 451 foi uma reação a tais heresias (apolinarianismo, nestorianismo e eutiquianismo) e também reafirmou a posição contra o arianismo. Como resultado deste concílio foi elaborado a declaração ou credo de Calcedônia que é aceita por protestantes, católicos e ortodoxos. A declaração apresenta alguns conceitos teológicos que serão detalhados nos próximos tópicos e irão ajudar a reforçar as conclusões sobre a natureza da pessoa de Cristo.
A Expressão “EU SOU” - A divindade de Jesus para o mundo judaico.
  Várias são as passagens bíblicas que identificam a deidade de Jesus Cristo. Em João 1:1-4, o apóstolo afirma que o Verbo era Deus, sendo Cristo identificado como o Verbo (versículo 14). Em João 20:28 Tomé diz para Jesus: “Senhor meu e Deus meu”. No livro de Apocalipse (Ap 22:13) Jesus declara que é Alfa e Ômega (primeira e última letra do alfabeto grego) indicando ser Ele o início e o fim de todas as coisas. Em Apocalipse 1:8, Deus Pai faz a mesma declaração. Hebreus 1:8 declara que o Filho é Deus: “Mas, do Filho, diz: Ó Deus, o teu trono subsiste pelos séculos dos séculos; Cetro de eqüidade é o cetro do teu reino”. Outra forte indicação é o uso da expressão “EU SOU” por Jesus. No livro de Êxodo, capítulo 3, na passagem da sarça ardente, que indicava a presença de Deus naquele lugar, Moisés faz uma pergunta a Deus: “Qual é o seu nome?” e Deus responde: “EU SOU O QUE SOU”. A seguir Deus instrui Moisés a falar com o povo de Israel da seguinte forma: “EU SOU me enviou a vós”. Em Deuteronômio 32:39 também temos a mesma expressão: "Vede agora que eu, EU SOU, e mais nenhum deus há além de mim”. A partir de então este título “EU SOU” passou a ser reverenciado de tal forma que nenhum judeu se atreveria a pronunciá-lo e foi motivo suficiente para que os judeus quisessem apedrejar Jesus por blasfêmia, quando Jesus responde: “antes que Abraão existisse, eu sou” (João 8:58-58). Usando tal expressão Jesus atribuiu a si o nome de Deus, mostrando ser verdadeiramente Deus.
O termo “Logos” - A divindade de Jesus para o mundo grego.
  Da mesma forma que os judeus reagiram perante a expressão “EU SOU”, que associava Jesus com Deus, a palavra grega “Logos” expressava para os gentios a deidade de Jesus.
Dentre os significados do termo logos pode-se citar: “palavra”, “discurso”, “razão” e “entendimento”. Inicialmente o termo significava a palavra escrita ou falada, mas a partir do filósofo pré-socrático Heráclito (540-470 a.C.) o termo logos passou a ser associado com razão, a capacidade de racionalização individual ou como um princípio cósmico da Ordem e da Beleza. Já na escola estóica fundada no século III a.C. por Zenão, o logos tornou-se uma doutrina filosófica cuja afirmação era a de que todo o universo é corpóreo e governado por um Logos divino (noção que os estóicos tomam de Heráclito e a desenvolvem). A alma está identificada com este princípio divino, como parte de um todo ao qual pertence. Este “logos” (razão universal) ordena todas as coisas: tudo surge a partir dele e de acordo com ele. O filósofo judeu Fílon (25 a.C - c. 50 d.C.), contemporâneo de Jesus, natural de Alexandria e que foi o maior comentarista do texto grego do Antigo Testamento (a Septuaginta), ao comentar as Escrituras influenciado pelo pensamento grego entendeu que o “Logos” nada mais era que a Palavra vinda da parte de Deus, a Palavra que tudo havia criado. Deus tudo criou pela Sua Palavra que a um só tempo era “palavra”, “discurso”, mas também ordenava e organizava a criação, era o “Logos”, a Palavra de Deus.
Dessa forma quando João sob a orientação do Espírito Santo escreve seu evangelho iniciando com o termo “logos” associado a Jesus, o conceito de logos não era desconhecido do mundo helênico. E este conceito foi ampliado por João, pois Jesus passa assim a ser a Palavra de Deus agindo desde a criação e sustentando tudo e todos, e sendo Jesus então o próprio Deus, culminando com a grande chave dessa revelação que é o Logos se fazendo carne, ou seja, tornando-se humano: “No princípio era o Verbo (Logos), e o Verbo estava com Deus, e o Verbo era Deus. Ele estava no princípio com Deus. Todas as coisas foram feitas por ele, e sem ele nada do que foi feito se fez....E o Verbo se fez carne, e habitou entre nós” (João 1:1-3, 14).
Jesus: A imagem expressa de Deus.
  Três são as passagens no Novo Testamento que revelam Jesus como sendo a imagem de Deus. Em 2 Coríntios 4:4 é dito que Jesus é a imagem de Deus, o que aparentemente nos parece com a fórmula de Gênesis onde é declarado que o homem foi criado à imagem de Deus. Mas seria um erro se parássemos apenas neste versículo. Em Colossenses 1:15, Paulo amplia o conceito sobre Cristo ser a imagem de Deus e nos diz que Jesus é a imagem do Deus invisível e já podemos ver aí a diferença entre a palavra imagem atribuída a Cristo e ao homem. De forma mais enfática Hebreus 1:3 diz que Cristo é a “expressa imagem” de Deus, ou seja, uma imagem idêntica, igual a Deus em todos os atributos, características e capacidade do Deus Pai. Uma imagem no qual habita corporalmente toda a plenitude da divindade (Cl 1:9). Ora se Cristo é a exata imagem e nele está toda a plenitude de Deus, logo o Filho é igual ao Pai, ou como Jesus falou: “Eu e o Pai somos um” (João 10:30). Aqui já vemos a fórmula da Trindade sendo apresentada e que vai ser concluída com a terceira pessoa do Espírito Santo. A diferença entre o Filho e o Pai vai ser notada apenas nas funções que o Filho e o Pai desempenham. O Filho por exemplo tem o papel redentor. Mas também vemos os mesmos papéis para ambos: O Filho sustenta a criação e foi por meio dele que tudo foi criado (João 1:3,10). Essa tarefa também foi do Pai (Gênesis 1). Dessa forma a afirmação de que Cristo é a imagem expressa de Deus monstra-nos também a divindade de Cristo.
Os termos “Primogênito”, “Unigênito” e “Princípio”.
  O arianismo, já comentado anteriormente, estava fundamentado em dois termos. O termo “Unigênito” que aparece em João 1:4, 3:16, 3:18 e 1 João 4:9 e o termo “Primogênito” de Colossenses 1:15. Ário afirmava que Jesus havia sido criado por Deus Pai e que portanto não poderia ser Deus. De acordo com os versículos já apresentados nos tópicos anteriores e que demonstram a divindade de Jesus, logicamente devemos sob a luz do Espírito Santo, avaliar qual os significados desses dois termos nos textos bíblicos
O dicionário Aurélio define o adjetivo unigênito como único gerado por seus pais, ou filho único. Ário declarava assim que Jesus fazia parte da criação de Deus, porém o uso do termo unigênito empregado para a pessoa de Cristo não significa que ele fora criado por Deus. O termo é usado para descrever a eterna relação (Deus Pai e Deus Filho são eternos por serem ambos Deus) que existe entre o Pai e o Filho. O Filho procede eternamente do Pai, não como criatura, mas como a Segunda Pessoa da Trindade.
O termo primogênito descreve o filho mais velho. No judaísmo o direito da primogenitura estabelecia o recebimento da herança patriarcal. Deus chamou Israel de primogênito entre os povos (Êxodo 4:22: “Assim diz o Senhor: Israel é meu filho, meu primogênito”). A referência a Israel nesse versículo é à nação de Israel. Diversas outras nações já existiam antes de Deus criar a nação de Israel. Nesse caso primogênito não quer dizer o primeiro que passou a existir, mas sim aquele que tem o direito da primogenitura. Esaú vendeu o direito de primogenitura a Jacó ( Gênesis 25:31-34). Dessa forma o termo empregado em Colossense 1:15 - “O qual é imagem do Deus invisível, o primogênito de toda a criação” significa que Jesus possui o direito de primogenitura, ou seja, ele tem o governo, a autoridade sobre toda a criação pois recebeu de herança do Pai.
Outra heresia vem de uma seita mais atual. As Testemunhas de Jeová negam a divindade de Jesus distorcendo a interpretação e a tradução de vários versículos bíblicos. Um desses versículos está em Apocalipse 3:14, onde Jesus declara de si mesmo que é o princípio da criação de Deus. A palavra grega usada é “arché” que significa fonte, origem. Jesus declara também de si mesmo em Ap 22:13 que é o Alfa e o Ômega, o Primeiro e o Último, o Princípio e o Fim. Deus Pai também declara em Ap 1:8 ser o Alfa e o Ômega. A palavra “princípio” , empregada nestes versículos, tem o significado de existir antes de tudo. Jesus portanto é a fonte, a origem da criação de Deus. A Bíblia NVI traduz o versículo como o soberano da criação de Deus, um significado alternativo aceitável para o termo arché, usado também em Lucas 12:11 e Tito 3:1.
Os termos primogênito e unigênito são usados portanto para realçar mais ainda a divindade de Jesus e não ao contrário. O profeta Zacarias já havia declarado: “Mas sobre a casa de Davi, e sobre os habitantes de Jerusalém, derramarei o Espírito de graça e de súplicas; e olharão para mim, a quem traspassaram; e pranteá-lo-ão sobre ele, como quem pranteia pelo filho unigênito; e chorarão amargamente por ele, como se chora amargamente pelo primogênito” (Zacarias 12:10).
A Expressão “Filho do Homem”.
  A expressão “Filho do Homem” é empregada oitenta e duas vezes nos quatro evangelhos. Jesus atribui a si mesmo a expressão que é uma referência à Daniel 7:13-14. Nessa passagem Daniel vê o Filho do Homem vindo nas nuvens dirigindo-se ao Ancião de dias (Deus Pai) e recebendo domínio, honra e o reino onde todos os povos, nações e línguas o serviam num domínio eterno, tendo assim, tal expressão, um significado messiânico. Essa expressão era conhecida dos judeus e eles identificaram logo que Jesus estava alegando para si a condição de Messias ao declarar ser o “Filho do Homem”. Em Mateus 26:65-66 após Jesus ter feito essa afirmação o sumo-sacerdote diz: Blasfemou! É reu de morte.
A expressão evidência também a natureza humana de Jesus. Jesus era plenamente Deus e plenamente homem. A condição humana de Jesus é necessária para que ele sofresse e morresse representando a humanidade perante Deus e assumindo assim o nosso lugar fazendo-se expiação por nossos pecados. Jesus como homem apresentou todas as características humanas, exceto por não ter pecado e por isso mesmo ele pode obedecer ao Pai plenamente e nos redimiu, nos resgatou, tirou-nos do cativeiro, algo que nenhum outro homem jamais poderia realizar. Jesus chorou (João 11:35), teve fome (Mt 4:2), teve sede (João 19:28), sentiu cansaço (João 4:6), angústia (Mc 14:35-36, Jo 12:27, Jo 13:21) e foi tentado (Mt 4:6), porém não pecou: “um (Jesus) que, como nós, em tudo foi tentado, mas sem pecado (Hb 4:15)". Aí está a gradeza de nosso Deus que entrega seu Filho único para que o mundo possa ser salvo por Jesus: “Porque Deus amou o mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna” (João 3:16).
Hypostasis.
  Hypostasis é um termo grego que traduzido literalmente significa permanecer sob (hypo = sob ou sub, statis = permanência ou posição) e cujo uso é aplicado para definir a realidade substancial ou a natureza de alguma coisa ou subsistência. Essa palavra é utilizada na expressão teológica “União Hipostática” aplicável à pessoa de Jesus Cristo e significa a união das naturezas humana e divina de Cristo em uma só pessoa.
Cada característica ou propriedade das naturezas humana e divina de Cristo é preservada, não se fundiram. A natureza humana permaneceu humana e a natureza divina permaneceu divina, porém unidas em um só ser. Dessa forma podemos por exemplo entender que Jesus foi tentado em sua natureza humana (Hebreus 4:15 - “um (Jesus) que, como nós, em tudo foi tentado, mas sem pecado”), mas em relação a sua natureza divina ele não foi tentado por que Deus não pode ser tentado pelo mal (Tiago 1:13 - “porque Deus não pode ser tentado pelo mal”). A natureza humana de Jesus o fez sentir cansaço, dormir, ter fome e sede, mas a sua natureza divina é onipotente (Hebreus 1:3 - “O qual, sendo o resplendor da sua glória, e a expressa imagem da sua pessoa, e sustentando todas as coisas pela palavra do seu poder, havendo feito por si mesmo a purificação dos nossos pecados, assentou-se à destra da majestade nas alturas”). Como humano aprendia, adquiria conhecimento e até desconhecia fatos como na passagem de Marcos 13:32 - “Mas daquele dia e hora ninguém sabe, nem os anjos que estão no céu, nem o Filho, senão o Pai”. Porém como Deus, Jesus era onisciente (João 2:25 - “E não necessitava de que alguém testificasse do homem, porque ele bem sabia o que havia no homem”, João 16:30 - “Agora conhecemos que sabes tudo, e não precisas de que alguém te interrogue. Por isso cremos que saíste de Deus”). Jesus como humano crescia e envelhecia, porém a sua natureza divina é eterna (João 1:2 - “Ele estava no princípio com Deus”, Apocalipse 22:13 - “Eu sou o Alfa e o Ômega, o princípio e o fim, o primeiro e o derradeiro”). Como homem Jesus também possuía limitação espacial, não podia estar em dois lugares ao mesmo tempo (João 17:11 - “E eu já não estou mais no mundo”), mas através de sua natureza divina ele é onipresente (Mateus 28:20 - “e eis que eu estou convosco todos os dias, até a consumação dos séculos” e Mateus 18:20 - “Porque, onde estiverem dois ou três reunidos em meu nome, aí estou eu no meio deles”).
Kenosis.
  A palavra grega kenosis é traduzida por “esvaziou-se” e foi usada por Paulo na carta ao Filipenses (“Mas esvaziou-se a si mesmo, tomando a forma de servo, fazendo-se semelhante aos homens” - Fp 2:7). No século XIX alguns teólogos elaboraram o que ficou conhecido como teologia kenótica e afirmavam, baseados no emprego do termo kenosis, que Jesus abriu mão de alguns atributos divinos, tais como onisciência, onipresença e onipotência enquanto estava na forma humana. O pensamento da época baseado na função de investigação científica e os movimentos teológicos racionalistas no século XIX ajudaram a estabelecer esta teoria por acharem demasiado estranho e inaceitável a ortodoxia fundamentalista que definia Jesus com uma natureza plenamente humana e outra plenamente divina. Com a teoria da kenosis ficava mais fácil aceitar que Deus Filho, homem, havia deixado, por algum tempo, alguns de seus atributos divinos.
O contexto de Filipenses, capítulo 2, deve ser entendido de forma diferente em relação ao emprego do termo “esvaziou-se”, aliás o próprio contexto da mensagem de Paulo aos filipenses se auto-explica. Paulo evoca aos filipenses que pratiquem atitudes humildes uns para com os outros, não tempo partidarismos nem vanglórias entre eles. Como exemplo, Paulo cita Jesus dizendo para os filipenses terem o mesmo sentimento de Cristo que subsistindo em forma de Deus, esvaziou-se, ou seja, humilhou-se assumindo a forma de servo. Cristo abriu mão de sua condição e de seu privilégio de Deus, não de seus atributos. Por isso, Paulo pode falar também em 2 Co 8:9 - “Porque já sabeis a graça de nosso Senhor Jesus Cristo que, sendo rico, por amor de vós se fez pobre; para que pela sua pobreza enriquecêsseis”.
Apoiar a teoria da kenosis é admitir que Jesus não era plenamente divino. Mais uma vez não podemos nos distanciar das regras de hermenêutica bíblica e criar toda uma doutrina baseada em uma única palavra de um único versículo. A Bíblia deve ser interpretada pela própria Bíblia e o entendimento da ortodoxia clássica tem sido de rejeitar tal teologia kenótica.
Análise do Credo da Calcedônia.
  O Concílio de Calcedônia realizou-se entre 8 de Outubro e 1 de Novembro de 451 em Calcedônia, uma cidade da Bitínia, na Ásia Menor. Como resultado deste concílio foi elaborado o seguinte credo: “Fiéis aos santos Pais, todos nós, perfeitamente unânimes, ensinamos que se deve confessar um só e mesmo Filho, nosso Senhor Jesus Cristo, perfeito quanto à divindade, e perfeito quanto à humanidade; verdadeiramente Deus e verdadeiramente homem, constando de alma racional e de corpo, consubstancial com o Pai, segundo a divindade, e consubstancial a nós, segundo a humanidade; em tudo semelhante a nós, excetuando o pecado; gerado segundo a divindade pelo Pai antes de todos os séculos, e nestes últimos dias, segundo a humanidade, por nós e para nossa salvação, nascido da Virgem Maria, mãe de Deus; um e só mesmo Cristo, Filho, Senhor, Unigênito, que se deve confessar, em duas naturezas, inconfundíveis, imutáveis, indivisíveis, inseparáveis; a distinção de naturezas de modo algum é anulada pela união, antes é preservada a propriedade de cada natureza, concorrendo para formar uma só pessoa e em uma subsistência; não separado nem dividido em duas pessoas, mas um só e o mesmo Filho, o Unigênito, Verbo de Deus, o Senhor Jesus Cristo, conforme os profetas desde o princípio acerca dele testemunharam, e o mesmo Senhor Jesus nos ensinou, e o Credo dos santos Pais nos transmitiu”.
Contra a idéia de Apolinário sobre Jesus não ter uma mente ou alma humana, o credo afirma que Jesus é verdadeiramente homem, constando de alma racional e de corpo e consubstancial a nós, ou seja, da mesma natureza ou substância que a nossa. Contra Nestório, cuja idéia era de que Cristo era duas pessoas unidas em um só corpo temos a declaração de que as duas naturezas de Jesus eram inseparáveis e indivisíveis formando uma só pessoa. Contra o monofisismo que afirmava Cristo ter perdido sua natureza humana na união com a divina temos a afirmação de que a distinção de naturezas não é anulada pela união, antes é preservada a propriedade de cada natureza. A declaração “gerado segundo a divindade do pai” foi uma resposta contra o arianismo que já havia sido condenado no Concílio de Nicéia em 325 e que já havia incluído tal expressão em sua profissão de fé. A declaração “gerado” foi usada para esclarecer o termo unigênito ( já discutido anteriormente) e significava que o Filho havia sido gerado desde sempre e não criado como defendia o arianismo.
Como última análise inclui-se neste estudo a expressão que viria a ser posteriormente mal interpretada e usada pela igreja Católica: “theotokos”. No credo de Calcedônia lemos a respeito do nascimento de Jesus: “nascido da Virgem Maria, mãe de Deus”. O termo theotokos é justamente a tradução “mãe de Deus”. Literalmente a palavra theotokos significa “portadora de Deus”. Evitando as controvérsias geradas em torno desse tema, o termo fora usado com o objetivo de exaltar a pessoa de Jesus Cristo. O Deus Filho que estava no ventre de Maria já existia eternamente e por isso seu filho era totalmente divino. Ela, portanto, é portadora de Deus, consequentemente mãe de um ser que é Deus. Assim a igreja primitiva não tinha o objetivo de exaltar o papel de Maria, papel esse destacado na Bíblia, por Maria ser uma mulher abençoada por Deus, como tantos outras mulheres e homens abençoados e usados por Deus na história da humanidade, porém nem por isso a própria Maria se exaltou, mas sempre se apresentou a si mesma como uma serva fiel a Nosso Senhor Jesus Cristo. Assim o principal objetivo da igreja primitiva no credo era exaltar a pessoa hipostática de Jesus Cristo.
Conclusão
  Muitas são as seitas atuais que reeditam já as muitas heresias condenadas na igreja primitiva. Seitas que negam mais a divindade de Jesus do que sua humanidade, diminuindo sua importância na história da redenção da humanidade. Conhecer o passado e estudá-lo é uma missão de todo cristão, pois é assim que se adquiri a capacidade de entender o que aparentemente são idéias “novas” pregadas por seitas e religiões e que levam milhares de pessoas para fora do caminho do evangelho de Cristo. A própria Bíblia nos exorta a estudá-la para que estejamos prontos para a defesa da fé em Cristo Jesus (I Pedro 3:15 - “Antes, santificai ao Senhor Deus em vossos corações; e estai sempre preparados para responder com mansidão e temor a qualquer que vos pedir a razão da esperança que há em vós”).
Bibliografia
  Bíblia de Estudo Pentecostal. Almeida Revista e Corrigida. Edição de 1995. Editora CPAD.
  Grudem, Wayne. Teologia Sistemática Atual e Exaustiva. Editora Vida Nova.
  Chaver, L. S. Teologia Sistemática. Volumes Cinco e Seis. Editora Hagnos.
  Hägglund, Bengt. História da Teologia. Editora Concórdia.
  Lane, Tony. Pensamento Cristão. Volume 1. Editora Abba.
  Goppelt, Leonhard. Teologia do Novo Testamento. Editora Teológica.
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Conselho Federal Teologia |
Convenção Batista |
Procon
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| Versículo |
"Vinde a mim, todos os que estais cansados e oprimidos, e eu vos aliviarei." (Mateus 11:28)
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