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Os Dons Espirituais
Introdução
  Sempre tomo como verdadeira a frase: “Deus não escolhe os capacitados, mas capacita os escolhidos”. O dom do Espírito é a capacitação do cristão através do Espírito Santo e que serve para edificar e fortalecer a Igreja. O Espírito Santo de Deus sempre atuou na história da humanidade. Desde o Antigo Testamento já podemos ver a atuação do Espírito de Deus fortalecendo e ajudando homens a realizar a vontade e a obra de Deus. Mas é com a Nova Aliança que o Espírito Santo é derramado sobre a Igreja deixando de atuar de forma restrita como o era no Antigo Testamento para atuar de forma mais ampla em cada crente.
A Pessoal do Espírito Santo
  Antes de falarmos em dons do Espírito Santo, temos que primeiramente entender claramente o que é a pessoa do Espírito Santo recorrendo para tanto a Santíssima Trindade. A doutrina da Trindade define, baseada nas Escrituras, que Deus é três pessoas (Pai, Filho e Espírito Santo), sendo cada pessoa plenamente Deus e que há somente um Deus. Apesar da palavra trindade não aparecer na Bíblia, as escrituras estão cheias de fórmulas trinitárias:
  Mateus 28:19 - ”Portanto ide, fazei discípulos de todas as nações, batizando-os em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo”;
  I Corintios 12:4-6 - “Ora, há diversidade de dons, mas o Espírito é o mesmo. E há diversidade de ministérios, mas o Senhor é o mesmo. E há diversidade de operações, mas é o mesmo Deus que opera tudo em todos”. Aqui vemos a referência ao Espírito, Senhor (Jesus, o Filho) e Deus (o Pai).
  II Corintios 13:13 - ”A graça do Senhor Jesus Cristo, e o amor de Deus, e a comunhão do Espírito Santo seja com todos vós.”
  Efésios 4:4-6 - “Há um só corpo e um só Espírito, como também fostes chamados em uma só esperança da vossa vocação; Um só SENHOR, uma só fé, um só batismo; Um só Deus e Pai de todos, o qual é sobre todos, e por todos e em todos vós”.
  I Pedro 1:2 - “Eleitos segundo a presciência de Deus Pai, em santificação do Espírito, para a obediência e aspersão do sangue de Jesus Cristo”
  Judas 1:20-21 - “Mas vós, amados, edificando-vos a vós mesmos sobre a vossa santíssima fé, orando no Espírito Santo, conservai-vos a vós mesmos no amor de Deus, esperando a misericórdia de nosso Senhor Jesus Cristo para a vida eterna.”
  Quando falamos em três pessoas não estamos definindo um triteísmo (três deuses), mas a visão é monoteísta, conforme a Bíblia declara que há um só Deus: “Visto que Deus é um só” (Romanos 3:30), “...Porventura não sou eu, o SENHOR? Pois não há outro Deus senão eu” (Isaías 45:21), “Tu crês que há um só Deus; fazes bem” (Tiago 2:19), “Porque há um só Deus, e um só Mediador entre Deus e os homens, Jesus Cristo homem” (I Timóteo 2:5). No entanto cada pessoa da Trindade é plenamente Deus. Outro erro conceitual é o modalismo que define uma única pessoa, que é Deus, porém se revelando em momentos distintos de modo diverso, ora como Pai, ora como Filho e ora como Espírito Santo. A Bíblia mostra claramente que cada pessoa é real, divina e possuidora dos atributos divinos (onisciência, onipresença, onipotência, eternidade, infinitude, etc).
  Sobre a divindade do Filho temos as seguintes referências bíblicas:
  “No princípio era o Verbo, e o Verbo estava com Deus, e o Verbo era Deus.” (João 1:1), mas a frente em seu evangelho, João declara: “E o Verbo se fez carne, e habitou entre nós, e vimos a sua glória, como a glória do unigênito do Pai, cheio de graça e de verdade.” (João 1:14)
  Quando Jesus aparece a Tomé este declara: “E Tomé respondeu, e disse-lhe: Senhor meu, e Deus meu!” (João 20:28)
  Em Hebreus 1-3, o autor declara que Jesus é a expressão exata de Deus: “O qual, sendo o resplendor da sua glória, e a expressa imagem da sua pessoa” (Hebreus 1:3) e no versículo 8, o Filho é chamado de Deus: “Mas, do Filho, diz: Ó Deus, o teu trono subsiste pelos séculos dos séculos; cetro de eqüidade é o cetro do teu reino.” (Hebreus 1:8).
  Em Hebreus 1-6, o Filho é merecedor de adoração, mas quem além de Deus pode receber adoração, senão o próprio Deus: “E outra vez, quando introduz no mundo o primogênito, diz: E todos os anjos de Deus o adorem.” (Hebreus 1:6).
  Pedro refere-se a Jesus como Deus e Salvador: “...pela justiça do nosso Deus e Salvador Jesus Cristo” (II Pedro 1:1).
  Paulo em Colossenses declara sobre Jesus: “Porque nele habita corporalmente toda a plenitude da divindade” (Colossenses 2:9) e na carta a Tito: “Aguardando a bem-aventurada esperança e o aparecimento da glória do grande Deus e nosso Salvador Jesus Cristo” (Tito 2:13).
  Em João 10:30, Jesus declara : “Eu e o Pai somos um.”
  Sobre a divindade do Espírito Santo temos as seguintes referências bíblicas:
  Pedro relata que mentir ao Espírito Santo é mentir a Deus: “...mentisses ao Espírito Santo, ..., não mentiste aos homens, mas a Deus.” (Atos 5:3-4).
  Na Primeira Carta aos Coríntios, Paulo menciona que somos templo de Deus: “Não sabeis vós que sois o templo de Deus e que o Espírito de Deus habita em vós?” (I Corintios 3:16) , mais adiante relata que nosso corpo é tempo do Espírito Santo: “Ou não sabeis que o vosso corpo é o templo do Espírito Santo, que habita em vós, proveniente de Deus, e que não sois de vós mesmos?” (I Corintios 6:19).
  Paulo mostra que o Espírito Santo é onisciente : “Mas Deus no-las revelou pelo seu Espírito; porque o Espírito penetra todas as coisas, ainda as profundezas de Deus. Porque, qual dos homens sabe as coisas do homem, senão o espírito do homem, que nele está? Assim também ninguém sabe as coisas de Deus, senão o Espírito de Deus.” (I Corintios 2:10-11) .
  Entre as pessoas da trindade não existem diferenças no ser, mas sim nas funções de cada pessoa. Assim vemos funções distintas na obra da criação, na obra da redenção, etc. Na obra da redenção, por exemplo, o Pai declarou e estabeleceu a redenção do homem e enviou seu Filho ao mundo (João 3-16). O Filho cumpriu sua obra redentora obedecendo ao Pai. Não foi nem o Pai e nem o Espírito Santo que morreu por nossos pecados, mas sim o Filho. O Espírito Santo nos é enviado pelo Pai (João 14:26) e pelo Filho (João 16:7) para atuar na Igreja regenerando (João 3:5-8), santificando (Romanos 8:13), fortalecendo e capacitando o crente para a obra de Deus (Atos 1:8, I Coríntios 12:7-11).
  Podemos ver agora claramente que o Espírito Santo não é apenas um atributo de Deus como se fosse a Sua força ou o Seu poder atuando no mundo, mas sim é o próprio Deus dirigindo a sua igreja. As atividades do Espírito Santo de ensinar (João 14:26), dar testemunho (João 15:26 / Romanos 8:16), interceder (Romanos 8:26-27), sondar as profundezas de Deus (1 Coríntios 2:10), conhecer os pensamentos de Deus (1 Coríntios 2:11), decidir conceder dons espirituais (1 Coríntios 12:11), proibir determinadas atitudes (Atos 16:6-7), falar (Atos 8:29 e 13:2), avaliar e aprovar ações (Atos 15:28) e se entristecer (Efésios 4:30), são atividades que não podem ser atribuídas a uma força ou a um poder. Onde uma força poderia se entristecer ou tomar decisões. Tais atributos tem que partir de um ser. Esse ser é a pessoa do Espírito Santo, ou seja, Deus.
A ação do Espírito Santo no Antigo Testamento
  No Antigo Testamento temos provas de que o Espírito Santo atuava em indivíduos designados por Deus para determinadas tarefas. Assim Abraão, Moisés, Gideão (Juízes 6:34 - Então o Espírito do Senhor revestiu a Gideão), Jefté (Juízes 11:29 - Então o Espírito do Senhor veio sobre Jefté), Sansão (Juízes 14:6 - Então o Espírito do Senhor se apossou dele tão poderosamente que despedaçou o leão), Davi (I Samuel 16:13 - e desde aquele dia em diante o Espírito do Senhor se apoderou de Davi), Salomão, Elias, os profetas e tantos outros homens eram revestidos pelo Espírito Santo para cumprir a obra de Deus. Logicamente era uma intervenção pontual, restrita, diferente da dispensação da graça onde o Espírito é derramado em todo aquele que crer em Jesus Cristo. Mas o Antigo Testamento relata a respeito de uma época vindoura em que essa restrição acabaria e o Espírito Santo seria aplicado a todo o povo de Deus: Joel 2:28 - “E há de ser que, depois derramarei o meu Espírito sobre toda a carne, e vossos filhos e vossas filhas profetizarão, os vossos velhos terão sonhos, os vossos jovens terão visões. E também sobre os servos e sobre as servas naqueles dias derramarei o meu Espírito.“, Isaías 32:15 - “Até que se derrame sobre nós o espírito lá do alto; então o deserto se tornará em campo fértil, e o campo fértil será reputado por um bosque.” e Isaías 44:3 - Porque derramarei água sobre o sedento, e rios sobre a terra seca; derramarei o meu Espírito sobre a tua posteridade, e a minha bênção sobre os teus descendentes.
A capacitação da Igreja pelo Espírito Santo
  O ministério de Jesus na terra era realizado no poder do Espírito Santo de Deus (Mateus 12:28 - “Mas, se eu expulso os demônios pelo Espírito de Deus, logo é chegado a vós o reino de Deus”, Lucas 4:1 - “E Jesus, cheio do Espírito Santo, voltou do Jordão e foi levado pelo Espírito ao deserto”), porém o Espírito Santo ainda não havia sido derramado, portanto somente seus apóstolos e discípulos eram capacitados pelo próprio Jesus conforme podemos ler em Mateus 10:1 – “E chamando os seus doze discípulos, deu-lhes poder sobre os espíritos imundos, para os expulsarem, e para curarem toda a enfermidade e todo o mal” e em Lucas quando Jesus envia 70 discípulos a pregar : “E curai os enfermos que nela houver, e dizei-lhes: É chegado a vós o reino de Deus” (Lucas 10:9)
  O derramamento do Espírito Santo só acontece então no dia de Pentecostes, pois conforme Jesus havia anunciado, o Consolador seria enviado por Ele (João 16:7) e pelo Pai (João 14:26). Assim os apóstolos seguem a orientação de Jesus de permanecerem em Jerusalém até que eles fossem batizados com o Espírito Santo (Atos 1:4-5) e recebessem a capacitação vinda do Espírito Santo (Atos 1:8 - “Mas recebereis a virtude do Espírito Santo, que há de vir sobre vós; e ser-me-eis testemunhas, tanto em Jerusalém como em toda a Judéia e Samaria, e até aos confins da terra”). A partir daí cumpre-se a profecia de Joel 2:28 e o que na Antiga Aliança era pontual e restrito, agora na Nova Aliança passa a ser amplo a todos que confessarem Jesus Cristo como Senhor de suas vidas.
Objetivos dos Dons Espirituais.
  A questão agora volta-se para o porquê de ser dado a igreja o Espírito Santo. A resposta é dada por Paulo em sua epístola aos Efésios. Paulo explica que quando Cristo ascendeu ao céu, deu-nos dons com o objetivo de aperfeiçoar e edificar sua igreja: Efésios 4:8-12 - “Por isso diz: Subindo ao alto, levou cativo o cativeiro, E deu dons aos homens...E Ele mesmo deu uns para apóstolos, e outros para profetas, e outros para evangelistas, e outros para pastores e doutores, querendo o aperfeiçoamento dos santos, para a obra do ministério, para edificação do corpo de Cristo”. Assim o uso dos dons baseia-se sempre nessa diretriz: Edificação. Se não houver edificação para a igreja com a profecia, ou com o falar em línguas, ou com a oração por exemplo, então deve-se questionar o uso de tal dom e até se verdadeiramente é um dom proveniente de Deus. Edificar a igreja significa aplicar os mandamentos, a ética e a lei moral estabelecidos por Deus buscando a santificação e que são claramente identificáveis nas Escrituras, por isso podemos falar de uma submissão dos dons perante as Escrituras.
O desenvolvimento do Dom Espiritual.
  O desenvolvimento do dom Espiritual é uma responsabilidade também do cristão. No Novo Testamento podemos ler que até incrédulos podem profetizar e fazer milagres, conforme Mateus 7:22-23 “Muitos me dirão naquele dia: Senhor, Senhor, não profetizamos nós em teu nome? e em teu nome não expulsamos demônios? e em teu nome não fizemos muitas maravilhas?” e Jesus responde: “E então lhes direi abertamente: Nunca vos conheci; apartai-vos de mim, vós que praticais a iniqüidade.” Por isso apenas o recebimento do dom Espiritual pelo crente não é uma prova de sua maturidade cristã. Como exemplo temos a igreja de Corinto. Era rica em dons espirituais (I Corintios 1:7 - “De maneira que nenhum dom vos falta, esperando a manifestação de nosso Senhor Jesus Cristo”), mas ainda era imatura (I Corintios 3:1 - “E eu, irmãos, não vos pude falar como a espirituais, mas como a carnais, como a meninos em Cristo”). Portanto devemos sempre procurar o aperfeiçoamento na palavra de Deus.
Refutação ao Cessacionismo
  Atualmente existem grupos que defendem uma posição cessacionista a respeito dos dons espirituais, ou seja, que certos dons foram necessários apenas na época apostólica e que dons como profecias, línguas e interpretação, cura e expulsão de demônios não são mais concedidos pelo Espírito Santo e cessaram na Igreja. Contra essa posição temos a própria Bíblia. Paulo nos dá a resposta em I Corintios 13:8-10: “O amor nunca falha; mas havendo profecias, serão aniquiladas; havendo línguas, cessarão; havendo ciência, desaparecerá; porque, em parte, conhecemos, e em parte profetizamos; mas, quando vier o que é perfeito, então o que o é em parte será aniquilado”. O termo “o que é em parte” é uma referência aos dons espirituais citados no versículo 8. Quanto ao termo “quando vier o que é perfeito” deve-se primeiramente relacioná-lo com as expressões “veremos face a face” e “ conhecerei como também sou conhecido” do versículo 12. Esses eventos com certeza se referem a volta de Jesus Cristo, pois ainda não podemos ver Deus face a face conforme Apocalipse 22:4 “E verão o seu rosto”. O “perfeito” refere-se a Jesus Cristo, portanto os dons espirituais citados por Paulo nos versículos 8 e 9 irão desaparecer somente quando Jesus retornar.
A temporariedade do Dom Espiritual.
  Já vimos que os dons não cessaram, mas sabemos que não são eternos, eles tem um tempo designado por Deus para atuarem na Igreja. Tais dons são empregados pelo Corpo de Cristo até a volta de Jesus. Curas, profecias, ensinamentos, intercessões, não serão mais necessários. Os mesmos versículos de I Coríntios 13:8-10 usados contra a idéia do cessacionismo, também são usados para demonstrar a temporariedade dos dons do espírito. Outra característica que podemos extrair desses versículos é que o que proferimos pode estar incompleto conforme Paulo declara: “Porque, em parte, conhecemos, e em parte profetizamos; Mas, quando vier o que é perfeito, então o que o é em parte será aniquilado”. Não que isso signifique que Deus nos dá revelações erradas ou distorcidas, mas que nós, como homens falhos que somos, podemos ter o entendimento errado, parcial ou confuso daquilo que Deus nos apresenta. O que ajudará a provar o dom é questionar se há edificação para a igreja de Cristo e a conformidade com as Escrituras.
Dons Espirituais (Profecia) x Escrituras
  Uma profecia tem a mesma autoridade da Escritura? A resposta vai depender da perspectiva que adotarmos. Se estivermos falando das palavras proferidas pelos profetas do Antigo Testamento a resposta é afirmativa, tanto é que muitas dessas palavras foram escritas e são parte das Escrituras. No Novo Testamento também temos palavras de Deus registradas, mas veja que não foram profetas que as escreveram e sim apóstolos (Mateus, João, Pedro, Paulo) e homens próximos dos apóstolos (Lucas e Marcos) ou de Jesus (Tiago e Judas que eram irmãos de Jesus). Mas daí em diante não podemos falar em profecia equiparada a palavra de Deus das Escrituras, e como prova de que o dom da profecia não tem autoridade junto a Bíblia pode-se citar I Tessalonicenses 5:20-21 - “Não desprezeis as profecias. Examinai tudo. Retende o bem.” e I Corintios 14:29 - “E falem dois ou três profetas, e os outros julguem.”. Nesses versículos, Paulo pede que a congregação avalie as profecias retendo o que bom, e como a Igreja está subordinada à Cristo e a Bíblia retém o ensinamento de Jesus e os mandamentos de Deus, portanto o dom da profecia e outros dons estão subordinados à Bíblia.
Os Dons Espirituais
  Os principais dons espirituais citados no Novo Testamento são: Profecia, Ensino, Milagres, Curas, Línguas/Interpretação, Palavra de Sabedoria/Conhecimento e Discernimento de Espíritos.
  Profetizar é dizer aquilo que Deus traz à nossa mente de forma espontânea. O ato de Deus trazer à nossa mente a mensagem é chamado de revelação, o ato de revelar a mensagem de Deus pela pessoa que a recebeu é o que se chama de profetizar. A profecia deve edificar a igreja e faz-se necessário lembrar que o cristão não tem que ficar aguardando revelações da parte de Deus para se orientar, uma vez que toda orientação e revelação necessárias estão nas Escrituras. A revelação será dada ao crente no momento que Deus assim o desejar e que sirva aos Seus propósitos. Portanto a ênfase excessiva na expectativa de revelações torna-se prejudicial à saúde espiritual do crente.
  O dom de Ensino está relacionado com a capacidade de explicar as Escrituras. Difere da profecia no sentido de que o ensino é repetitivo, metódico e segue uma linha planejada, não significando que não possa haver revelação por parte de Deus durante a atividade de ensino uma vez que o Espírito Santo está presente direcionando a tarefa de ensinar.
  O Milagre é um evento que evidência o poder de Deus atuando de forma sobrenatural. Pode ser um livramento de perigo, uma intervenção em determinadas situações, como abrir porta de emprego, ganhar uma causa judicial, obter um bem material extremamente necessário, etc.
  O dom de Cura demonstra a misericórdia de Deus para aqueles que estão sofrendo. Mas devemos nos lembrar que a medicina também existe para nos garantir quando possível a cura, afinal Deus criou as substâncias para se fazer os remédios e são parte da sua obra de criação que Deus considerou “muito bom” (Gênesis 1:31). Não usar remédio é o mesmo que tentar ao Senhor, contudo podemos orar à Deus pedindo que haja a cura através da eficácia do remédio. Em outra extremidade está a cura de doenças incuráveis ou tratamentos inacessíveis por serem caros demais ou não disponíveis por outras razões. De qualquer forma seja a cura através de remédio ou intervenção direta de Deus, tal dom é mais uma prova do poder de Jesus e ajuda na edificação da igreja. E mesmo que não haja a cura devemos sempre lembrar das palavras de Deus ao apóstolo Paulo em 2 Coríntios 12:9 : ”A minha graça te basta, porque o meu poder se aperfeiçoa na fraqueza”.
  O dom de falar em línguas é exposto por Paulo com certa restrição, pois vincula tal dom ao dom da interpretação e nos dá as razões para tal vínculo em I Coríntios 14:1-28 de forma bastante esclarecedora. Resumindo esses versículos, Paulo explica que aquele que fala em línguas edifica-se a si mesmo, mas o que profetiza edifica a igreja. O apóstolo deseja que a igreja profetize mais do que fale em línguas, mas não exclui tal dom, pois se o falar em línguas for acompanhado de interpretação então haverá também edificação para que a igreja.
  Os dons de palavra de Sabedoria e palavra de Conhecimento referem-se a capacidade de pronunciar sabiamente, adequadamente e com profundo conhecimento frases que ajudam indivíduos, grupo de pessoas e até toda a igreja, sempre com o intuito de edificar o corpo de Cristo.
  O discernimento de Espíritos é a capacidade dada ao cristão de perceber o que procede de Deus ou não conforme vemos em 1 João 4:1 - “Amados, não creiais a todo o espírito, mas provai se os espíritos são de Deus, porque já muitos falsos profetas se têm levantado no mundo”.
Conclusão
  Os dons espirituais não devem ser fonte de orgulho pessoal e nem dever servir para criar “elites” dentro da Igreja. O objetivo sempre é a edificação do Corpo de Cristo através das ferramentas (dons espirituais) que o Espírito Santo disponibiliza de acordo com a Sua vontade: “Mas um só e o mesmo Espírito opera todas estas coisas, repartindo particularmente a cada um como quer” (I Corintios 12:11). Por isso ninguém tem todos os dons e não há nenhum dom que seja concedido a todos conforme I Corintios 12:7 - “Mas a manifestação do Espírito é dada a cada um, para o que for útil”. A igreja é co-responsável no descobrimento dos dons de cada membro e deve orientar e dar oportunidade iguais a todos, tendo sempre em vista a diretriz que é edificação para que “Do qual todo o corpo, bem ajustado, e ligado pelo auxílio de todas as juntas, segundo a justa operação de cada parte, faz o aumento do corpo, para sua edificação em amor.” (Efésios 4:16).
Bibliografia
  Bíblia de Estudo Pentecostal. Almeida Revista e Corrigida. Edição de 1995. Editora CPAD.
  Grudem, Wayne. Teologia Sistemática Atual e Exaustiva. Editora Vida Nova.
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Conselho Federal Teologia |
Convenção Batista |
Procon
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| Versículo |
"Vinde a mim, todos os que estais cansados e oprimidos, e eu vos aliviarei." (Mateus 11:28)
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