Evidências da Formação do Cânon A.T.
1ª evidência: A tradição judaica
  De acordo com a tradição judaica (Midrash Rabbah 12:12) o Cânon Judaico (Tanakh) é composto de 24 livros que se agrupam em 3 conjuntos: A Lei, Os Profetas e Os Escritos. Midrash é uma forma narrativa criada por volta do século I a.C. na Palestina pelo povo judeu. Esta forma narrativa desenvolveu-se através da tradição oral (Talmud) até ter a sua primeira compilação apenas por volta do ano 500 d.C. no livro Midrash Rabbah. O Talmud é uma obra que compila discussões rabínicas sobre leis judaicas, tradições, costumes, lendas e histórias. É um detalhamento e comentário das tradições judaicas a partir das leis compiladas por Moisés na Torá. O primeiro livro do cânon judaico é Gênesis, o último é Crônicas. Tanakh ou Tanach é um acrônimo utilizado dentro do judaísmo para denominar seu conjunto principal de livros sagrados ou cânon judaico. A palavra é formada pelas sílabas iniciais das três porções que a constituem, a saber: A Torá refere-se aos cinco livros conhecidos como Pentateuco; Neviim: "Profetas" e Kethuvim: "os Escritos".
A Torá (5 livros):   1. Gênesis;   2. Êxodo;   3. Levítico;   4. Números;   5. Deuteronômio |
Os Profetas (Neviim) (8 livros):
  Profetas Anteriores:     1. Josué;     2. Juízes;     3. Samuel(I e II em conjunto);     4. Reis(I e II em conjunto);
  Profetas Posteriores:     5.Isaías;     6.Jeremias;     7.Ezequiel;     8.O Rolo dos Doze (Oséias, Joel, Amós, Obadias, Jonas, Miquéias, Naum, Habacuque, Sofonias, Ageu, Zacarias, Malaquias); |
Os Escritos (Kethuvim) (11 livros):
  Livros da Verdade (Poéticos):     1. Salmos;     2. Provérbios;     3. Jó;
  Os 5 Rolos (cada um usado na ocasião de uma festa específica):     4. Cantares na Páscoa;     5. Rute no Pentecostes;     6. Lamentações no dia 9 do mês Abibe;     7. Eclesiastes na Festa dos Tabernáculos;     8. Ester na Festa de Purim;   Profético:     9. Daniel;   O resto dos Livros:     10. Esdras-Neemias (em conjunto);     11. Crônicas(I e II em conjunto); |
   Ref.: http://pt.wikipedia.org/wiki/Tanakh
2ª evidência: O historiador judeu Flávio Josefo (37 ou 38 – c. 100 d.C.)
  Flávio Josefo em sua obra “Contra Ápion” escreve:
  "Não temos dezenas de milhares de livros, em desarmonia e conflitos, mas só vinte e dois, contendo o registro de toda a história, os quais, conforme se crê, com justiça, são divinos. Cinco são de Moisés, que refere tudo o que aconteceu até sua morte, durante perto de três mil anos e a seqüência dos descendentes de Adão. Os profetas que sucederam a esse admirável legislador, escreveram em treze outros livros, tudo o que se passou depois de sua morte até o reinado de Artaxerxes, filho de Xerxes, rei dos persas e os quatro outros livros, contêm hinos e cânticos feitos em louvor de Deus e preceitos para os costumes. Escreveu-se também tudo o que se passou desde Artaxerxes até os nossos dias, mas como não se teve, como antes, uma seqüência de profetas não se lhes dá o mesmo crédito, que aos outros livros, de que acabo de falar e pelos quais temos tal respeito, que ninguém jamais foi tão atrevido para tentar tirar ou acrescentar, ou mesmo modificar-lhes a mínima coisa. Nós os consideramos como divinos, Chamamo-los assim; fazemos profissão de observá-los inviolavelmente e morrer com alegria se for necessário, para prová-lo. Foi isso que fez morrer um tão grande número de escravos de nossa nação em espetáculos dados ao povo, tantos tormentos e tantas mortes diferentes, sem que jamais se pudesse arrancar de sua boca uma única palavra contra o respeito devido às nossas leis e às tradições de nossos antepassados."(Contra Ápion 1:8)
  Josefo fala em 22 livros, a tradição judaica no Midrash fala em 24 livros. Essa diferença apenas reflete a forma de como eram arranjados. Às vezes Rute era anexado ao livro de Juízes e Lamentações ao de Jeremias, totalizando assim vinte e dois livros.
  Para Josefo os livros autorizados foram produzidos entre a época de Moisés e Artaxerxes (464 a.C. - 424 a.C. - época do profeta Malaquias, cerca de 450 a.C.).
  Veja que as datas dos 7 livros da Biblia Católica são posteriores ao período indicado por Josefo:
  Tobias – (200 a.C.)
  Judite – (150 a.C.)
  Baruque – (100 a.C.)
  Eclesiástico – (180 a.C.)
  Sabedoria DE Salomão - (40 a.C.)
  I Macabeus – (100 a.C.)
  pII Macabeus – (100 a.C)
3ª evidência: O Concílio Jâmnia
  No ano 90 d.C., os rabinos judeus realizaram um concílio na cidade de Jâmnia, perto de Jafa, na Palestina, para definir quais seriam os livros da Bíblia judaica. A decisão favorável aos livros não mudou, portanto em nada a condição canônica daqueles 22 livros. Não foi introduzida nenhuma inovação, nem citado algum dos apócrifos, permanecendo a tradição judaica sobre o cânon a mesma que já havia.
4ª evidência: O bispo de Alexandria Atanásio (293-373 d.C.)
  Atanásio foi bispo de Alexandria e escreveu em 367 d.C. uma carta onde citava os livros do A.T, descrevendo quais eram os livros apócrifos:
  "Há, portanto, 22 Livros do Antigo Testamento, número que, pelo que ouvi, nos foram transmitidos, sendo este o número citado nas cartas entre os Hebreus, sendo sua ordem e nomes respectivamente, como se segue: Primeiro, o Gênesis. Depois, o Êxodo. Depois, o Levítico. Em seguida, Números e, por fim, o Deuteronômio. Após esses, Josué, o filho de Nun. Depois, os Juízes e Rute. Em seguida, os quatro Livros dos Reis, sendo o primeiro e o segundo listados como um livro, o terceiro e o quarto também, como um só livro. Em seguida, o primeiro e o segundo Livros das Crônicas, listados como um só livro. Depois, Esdras, sendo o primeiro e o segundo igualmente listados num só livro. Depois desses, há o Livro dos Salmos, os Provérbios, o Eclesiastes e o Cântico dos Cânticos. O Livro de Jó. Os doze Profetas são listados como um livro. Depois Isaías, um livro. Depois, Jeremias com Baruc, Lamentações e a Carta [de Jeremias], num só livro. Ezequiel e Daniel, um livro cada. Assim se constitui o Antigo Testamento. [..] Mas, para uma maior exatidão, acrescento também, escrevendo para não me omitir, que há outros livros, além desses, de fato não incluídos no Cânon, indicados pelos Pais da Igreja para leitura por aqueles recém-admitidos entre nós e que desejam receber instrução sobre a Palavra de Deus: a Sabedoria de Salomão, a Sabedoria de Sirac, Ester e Judite, Tobias, bem como aqueles chamados Ensinamento dos Apóstolos e o Pastor. Quanto aos primeiros, meus irmãos, foram incluídos no Cânon; mas os últimos são [apenas] para leitura, não havendo em lugar nenhum menção a eles como sendo escritos apócrifos".
  Atanásio só errou ou se confundiu num ponto: ele juntou Jeremias com Baruc. Baruc não fazia parte do cânon hebraico
5ª evidência: Jerônimo (340-420 d.C)
  Jerônimo (340-420), o grande teólogo bíblico do início do período medieval e tradutor da Vulgata Latina, rejeitou explicitamente os apócrifos como parte do cânon. Ele disse que a igreja os lê "para exemplo e instrução de costumes", mas não "os aplica para estabelecer nenhuma doutrina" (Prefácio do Livro de Salomão da Vulgata, citado em Beckwith, p. 343).
Na verdade, ele criticou a aceitação injustificada desses livros por Agostinho. A princípio, Jerônimo até recusou-se a traduzir os apócrifos para o latim, mas depois fez uma tradução rápida de alguns livros. Depois de descrever os livros exatos do AT judaico, Jerônimo conclui:
  "E então no total há 22 livros da Lei antiga [conforme as letras do alfabeto judaico],isto é, 5 de Moisés, 8 dos Profetas e 9 dos hagiógrafos. Apesar de alguns incluírem [...] Rute e Lamentações no hagiógrafo, e acharem que esses livros devem ser contados (separadamente) e que há então 24 livros da antiga Lei, aos quais o Apocalipse de João representa adorando ao Cordeiro por meio do número de 24 anciãos [...] Esse prólogo pode servir perfeitamente como elmo (i.e., equipado com elmo, contra atacantes) de introdução a todos os livros bíblicos que traduzimos do hebraico para o latim, para que saibamos que os que não estão incluídos nesses devem ser incluídos nos apócrifos".
6ª evidência: Jesus
  Essa é a maior de todas as evidências. Jesus disse: “para que sobre vós caia todo o sangue justo, que foi derramado sobre a terra, desde o sangue de Abel, o justo, até o sangue de Zacarias, filho de Baraquias, que mataste entre o santuário e o altar" (Mateus 23:35). Por esta referência, o Senhor pretendeu responsabilizar os Escribas e os Fariseus por todo o sangue de pessoas inocentes derramado do A.T. inteiro: Abel se acha em Gêneses, mas Zacarias se acha em II Crônicas 24:20-22 que é o último livro da Bíblia hebraica (i.é, o último livro na terceira seção, os escritos), o que não acontece com a Septuaginta que termina com Daniel seguida por "Bel e o Dragão". A frase, "Abel até Zacarias," é apenas outro modo de declarar, "do início ao fim". Jesus reconhece o cânon hebraico: 22 livros de Gênesis a Crônicas.