A literatura Apocalíptica.
  Apocalíptica é um gênero literário desenvolvido entre os anos 200 a.C. e 200 d.C. A raiz mestra da apocalíptica é a literatura profética vétero-testamentária, conforme é achada em Ezequiel, Daniel, Zacarias e partes de Isaías. A matéria da apocalíptica é apresentada na forma de visões e sonhos, possuindo uma linguagem enigmática e simbólica. Usa o dispositivo da pseudonimidade, ou seja, recebiam a aparência de terem sido escritos por personagens antigas, tais como Enoque e Baruque. As figuras de linguagem são frequentemente formas de fantasia e não da realidade. Os profetas, por exemplo, usavam para essas figuras de linguagem elementos reais, tais como, o sal, os abutres e os cadáveres, pombas, pães semi-assados. As figuras da apocalíptica usam da fantasia: besta com dez chifres e sete cabeças, uma mulher vestida do sol, gafanhotos com caudas de escorpião e com cabeças humanas. Também se faz muito uso de números simbólicos, abundância de repetições, longos discursos e listas e enumerações.
  A apocalíptica também é um movimento sócio-político-econômico-religioso e surgiu em função da falência das instituições religiosas oficiais de Israel: o Templo, a Monarquia e os Profetas. Por muito tempo a religião de Israel foi centrada no Templo. Os livros de Esdras, Neemias, Ageu, Malaquias e Zacarias demonstram essa centralidade. Com profanação do templo e a destruição do mesmo, o foco da religião hebraica passa do templo para a apocalíptica. A falência da monarquia também vai ajudar nessa transição. Já no século III e II a.C., o povo de Israel não tinha mais esperanças de que um rei humano teria a capacidade de restaurar a nação de Israel. Assim o movimento apocalíptico passa a apontar para a figura do messias, do filho do homem e filho de Deus que restauraria Israel. A voz profética também havia se calado no período conhecido com inter-bíblico (cerca de 400 a.C. até o início do período do N.T.) O povo de Israel, em função da demora do cumprimento das promessas e bençãos das profecias, levantou dúvidas sobre essa autoridade profética, terminando com a falência dessa instituição.
  Finalmente a apocalíptica possui uma orientação escatológica. A escatologia significa “as últimas coisas”, tendo como objetivo revelar a transformação realizada por Deus do mundo e da história para um novo estado das coisas (novos céus e nova Terra). A apocalíptica tem então o papel de gênero literário que vai expressar esse sentimento escatológico, renovando as esperanças do povo de Israel.
Bibliografia
Fee, Gordan D. E Stuart, Douglas. Entendes o que lês? Ed. Vida Nova.