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Teocentrismo
03/10/2008

Breve História de Israel


  A região de Canaã por volta de 8000 a.C. já estava ocupada por comunidades que estavam passando do sistema de vida em cavernas para aldeamentos. Viviam da caça, pesca, pilhagem e cultivo. A Mesopotâmia também apresenta-se com aldeamentos rudimentares desde o século VII a.C. Estes aldeamentos viriam a constituir as futuras cidades-estados nos milênios seguintes. Templos, construções e documentos demostravam já no IV milênio a.C. uma civilização bem desenvolvida. Quando Abraão deixa sua cidade natal, Ur dos Caldeus, na Mesopotâmia e parte para sua peregrinação em Canaã, a mesma já se encontrava num grau de civilização avançado.

  O período Patriarcal da história de Israel inicia-se justamente nas peregrinações de Abraão com sua saída de Ur para a terra de Canaã e termina no Egito. Um período que começa aproximadamente em 2000 a.C. e vai terminar com a entrada de Jacó, sua família e agregados (cerca de 70 pessoas) no Egito por volta de 1870 a.C. Um Egito governado por José, filho de Jacó.

  O período seguinte é da formação da nação de Israel. O povo que antes fora convidado para habitar a terra de Gósen no Egito, cresce, multiplica-se e acaba escravizado. O Êxodo então começa aproximadamente em 1440 a.C. Deus liberta o povo através de Moisés. O povo passa quarenta anos no deserto, recebe a Lei de Deus e inicia em 1400 a.C. com Josué a conquista da terra prometida. A divisão da terra se dá entre as 12 tribos e uma nação teocrática é formada: a nação de Israel.

  O próximo período é o dos Juízes. Libertadores escolhidos por Deus para livrar Israel da opressão dos inimigos do povo hebreu. Esse período durou 350 anos, desde o término da conquista de Canaã em 1390 a.C. até a proclamação da monarquia.

  Aproximadamente em 1040 a.C., o povo exigiu um rei para governar Israel, seguindo o modelo das nações vizinhas que tendo um governo centralizado seduziam pelo poder econômico e militar. Saul, então, é proclamado rei da nação israelita. Terminava assim o Israel Teocrático e inicia-se o período Monárquico. Em 1000 a.C. Davi se torna rei e consegue unificar o povo e expandir o território. Faz de Jerusalém a capital política de seu governo e prepara planos para a construção do Templo, plano este que vai se realizar no reinado de seu filho Salomão. Por volta de 970 a.C., Salomão começa a reinar. Ele faz alianças com nações vizinhas garantindo-lhe a paz necessária para governar, desenvolve a cultura de forma geral e constrói o templo. Porém todo esse investimento tornou a máquina do estado pesada. As construções, a manutenção do exército profissional, a burocracia administrativa e a sustentação de uma vida luxuosa na corte, entre outros gastos, fizeram com que as despesas fossem maiores que as receitas, o que acarretou em impostos pesados para suprir tal desbalanceamento. Com a morte de Salomão em 935 a.C., o reino que se encontrava numa crise social, política e econômica não subsistiu e acabou se dividindo: O reino do Norte, chamado também Reino de Israel teve como primeiro rei Jeroboão e o Reino do Sul, chamado também de Reino de Judá, teve como primeiro rei Roboão, filho de Salomão.

  O Reino do Norte, conhecido também como “Efraim” por ser a tribo de Jeroboão, teve várias capitais: Siquém, Penuel, Tirza e por fim Samaria. Dezenove reis governaram. Os principais profetas foram Elias, Eliseu, Micaías, Jonas, Amós e Oséias. Na área econômica e política apesar de alcançar certa estabilidade no reinado de Onri (885-874 a.C.) e de Jeroboão II (781-753 a.C.), o reino de Israel foi marcado por instabilidade política, dificuldades econômicas e no aspecto religioso foi marcado pela idolatria. O reino do Norte durou do ano 935 a.C. até 722 a.C. quando foi conquistado pela Assíria.

  O reino de Judá, com a capital em Jerusalém, teve vinte reis. Como profetas bíblicos pode-se citar: Joel, Zacarias, Isaías, Miquéias, Naum, Sofonias, Jeremias, e Habacuque. A religião de Judá sofreu menos com o paganismo do que o reino do Norte, mas mesmo assim Judá não seguiu corretamente o caminho do Senhor. A situação política era mais estável por aceitar a linha de sucessão davídica, o que não acontecia no reino do Norte. O reino do Sul durou de 935 a.C. até 586 a.C. quando foram conquistados pelo Império Babilônico.

  Com a queda do reino do Sul, inicia-se o período do exílio ou cativeiro babilônico. A nação do povo de Israel está aniquilada: sem terra, sem templo, sem rei. Só lhe resta Javé. O exílio trás o povo judeu para a reflexão e para o arrependimento. Esse período estende-se até a queda da Babilônia perante a Pérsia em 538 a.C. Nesse mesmo ano, Ciro proclama um decreto permitindo que os judeus retornassem para Jerusalém.

  O retorno do cativeiro deu-se em três momentos. O primeiro grupo a retornar da Babilônia foi liderado por Zorobabel em 538 a.C. Zorobabel era neto do rei Joaquim. O segundo grupo retorna sob o comando do sacerdote Esdras em 458 a.C. com a autorização do rei persa Artaxerxes I. O terceiro grupo retorna com Neemias aproximadamente em 445 a.C. A Zorobabel coube a reconstrução do Templo, a Esdras o restabelecimento da Lei de Deus e a Neemias a construção dos muros garantindo a segurança da cidade. Nasce então o judaísmo que já tinha seus primeiros passos no exílio.

  Em 330 a.C., os gregos conquistaram a Palestina sob o comando de Alexandre, O Grande. Na tentativa de helenizar o povo judeu, o judaísmo se fecha na Lei e se torna intransigente. Com a morte de Alexandre, o império grego é dividido: no Egito os Ptolomeus e na Síria os selêucidas. A Judéia então ficou sob o controle ptolomeu até 198 a.C., quando os selêucidas assumiram o controle.

  A tentativa de helenização, agora mais forte, por parte dos selêucidas levou a revolta comandada pelos Macabeus em 166 a.C. iniciando a dinastia dos Hasmoneus. O período de independência durou até 63 a.C. quando a Palestina passa para o controle Romano.

  Dessa forma, através desse longo esboço da história de Israel não se pode falar em fatos sem créditos. Aqueles que falam numa verdadeira arqueologia Síria/Palestina e que a história de Israel não passa de projeções ideológicas deveriam atentar para os indícios arqueológicos bíblicos que cada vez mais confirmam a história contada através da Bíblia. Na Palestina a arqueologia tem encontrado lugares e cidades exatamente como descritos na Bíblia. Inscrições e monumentos arquitetônicos trazem à tona personagens do Antigo Testamento. Povos conhecidos pela leitura bíblica também passar a ser conhecidos através da arqueologia: hititas, filisteus, príncipes cananeus, os reis de Mari contemporâneos de Abraão. Em 1843 o arqueólogo Paul-Émile Botta descobriu as ruínas da cidade assíria de Dur Sharrukin ("Fortaleza de Sargon"). Em 1845, o explorador inglês A. H. Layard descobriu Nemrod que na Bíblia se chama Cale (Gn 10:11). Pouco tempo depois, escavações realizadas a onze quilômetros de Khursabad, sob a direção do inglês Henry Creswicke Rawlinson, puseram a descoberto a capital assíria de Nínive e a célebre biblioteca do Rei Assurbanipal. Em 1923 o arqueólogo Sir Charles Leonard Woolley descobriu Ur dos Caldeus. Dados arqueológicos indicam que por volta de 1300 a.C em Canaã cidades como Betel, Laquis, Eglom, Debir e Hazor passaram por destruições, o que coincide com a campanha de Josué.

  A história como ciência tem o compromisso de buscar o fato histórico. É desejável aprofundar o tema da arqueologia Síria/Palestina para procurar mais dados sobre essa região sem problemas, mas não pode fazer isso desmerecendo a história de Israel rica em seu conteúdo e cada vez mais afirmada pela arqueologia.


Bibliografia
Gusso, Antônio Renato. Panorama Histórico de Israel. Ed. A.D.Santos. Curitiba 2003.
Mesquita, Antônio Neves. Povos e Nações do Mundo Antigo. Ed. Hagnos.
Keller, Werner. E a Bíblia tinha razão...Ed. Melhoramentos.




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